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Cultura

18/01/2022 às 11h17

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Adrovando Claro

Natal / RN

FOLCLORE: ciência e arte do povo
Estamos sendo desrespeitados, chegando ao limite de um processo de completa alienação cultural, numa brutal inversão de valores.
FOLCLORE: ciência e arte do povo
Foto: Adrovando Claro

Não bastam apenas as instituições de ensino, aproveitarem, o dia do folclore e fazer aquele corre-corre para tentar justificar o que quase não conhecem, porque a professores e estudantes não é dada oportunidade de estudar e conhecer a alma do seu país, no seu contexto sócio cultural, com suas vivências, ícones, valores, expressões vivas, reais, no que diz respeito ao nosso pertencimento, nossa tradição, engendrada nas esteiras do descobrimento, no país da maior diversidade cultural do planeta, num estado onde melhor foi estudado o folclore, haja visto  ser a terra do mestre Luis da Câmara Cascudo, cujo nome ultrapassa as fronteiras do nosso estado, do nosso País.


Com toda a riqueza que dispomos, não há ainda, nas propostas curriculares do Estado do Rio Grande, como acontece em outros Estados, o que é lamentável, o cumprimento à constituição que reza em um dos seus parágrafos, a aplicação do Folclore nas Práticas Pedagógicas.  Tentativas ocorreram por parte da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, contudo ainda não foi possível implantá-lo na terra de Luis da Câmara Cascudo. Veríssimo de Melo, Hélio Galvão, Manoel Rodrigues de Melo e Deífilo Gurgel.  


Nossa preocupação é oportuníssima, no momento em que a alma cultural brasileira está sendo atingida pelo fenômeno da globalização. Um instrumento felino, traiçoeiro que chega afogando, aplacando nossa inteligência, nossa história, nossa tradição, No país da maior reserva folclórica do mundo, com uma diversidade cultural que deixam perplexos estudiosos de várias partes do planeta. Estamos sendo desrespeitados, chegando ao limite de um processo de completa alienação cultural, numa brutal inversão de valores. Misturam-se tudo em nome de uma modernidade recheada de equívocos confundindo cultura com glamour, o que para esses equivocados parece ser a mesma coisa.


Na segunda metade do século XIX os saberes do povo, guardados, preservados, transmitidos de geração a geração foram incorporados a uma palavra, Folk-lore, ciência do povo, estudo dos saberes populares, hoje com nova conceituação, porque a ciência da folclorística não é estática, nem peça de museu, transforma-se e modifica-se, preservando suas peculiaridades de conteúdo e forma em qualquer contexto social. O antônimo dessa palavra também é em inglês book-lore, a ciência dos livros, das enciclopédias, das cátedras, da formalidade científica, sem esquecer que folclore é o todo. Nada além do folclore. 


Partindo desse raciocínio um dos estudiosos do folclore francês Paulo Sébillot colocou a ciência do folclore segundo as relações exteriores dos fatos, numa identificação direta com o Céu, a Terra, o Mar, os Rios, os Lagos, a Fauna, a Flora, o Povo e a História.  


A linguagem, os gestos, os ritmos, o canto, as crenças religiosas, a literatura, a arte, o direito, a moral, são, até certo ponto, resultados da alma coletiva que se desenvolve sobre fatos antigos, tornando-os inconscientes, institucionais. São esses fatos que os estudiosos da ciência do povo chamam de mecanismo psicológico, em contraposição à lógica.      


Entre o popular e o culto a diferença está na formação psíquica. O que chamamos povo, em folclore, corresponde ao mecanismo psicológico, com seu apreciável quinhão de associações e comportamentos instintivos, assim definiu Frederico Edelweiss. Nos cultos, prevalece o raciocino guiado pelo conhecimento científico. 


Desta forma chegamos ao ponto conclusivo das duas ciências. Por mais que falemos em popular e erudito é quase impossível definir os limites exatos de ambos, porque o folclore está presente em todos os espaços e direcionamentos da vida humana, mormente no Brasil, nos mais  mais distantes recantos às grandes metrópoles com suas construções, arquiteturas e decorações, objetos de usos de fabricação caseira, vestuários, adereços, caça, pesca, distintivos, marcas de propriedades, de ferração, agropecuária, alimentação, bebidas, músicas, canções, danças, os ofícios e as artes com suas técnicas, hábitos, costumes, cerimônias, rituais, magia, feitiços, medicina popular, literatura e linguagem popular.


Severino Vicente - Presidente da Comissão Norte-Rio-Grandense de folclore


 

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