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17/12/2021 às 10h08

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Adrovando Claro

Natal / RN

América Futebol Clube: Mais de um século de existência (Parte 2)
A primeira sede foi um prédio simples, aliás, o primeiro clube de futebol do Estado a possuir uma sede social própria, fato ocorrido na gestão do Presidente Humberto Nesi, figura que merece destaque especial em razão de sua permanente dedicação
América Futebol Clube: Mais de um século de existência (Parte 2)
América na era Machadão. foto: Adrovando Claro

Por: CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES


Meus estimados americanos e americanas, a história é muito longa e tive o cuidado de fazer uma modesta publicação com vários outros valiosos detalhes, de onde resumo os que reputo mais importantes.


Aqui e agora relembro alguns momentos marcantes:


O TERRENO E AS SEDES


TERRENO: Graças à generosidade dos amigos Manuel Fagundes e Jairo Procópio, tive acesso aos documentos referentes à compra do terreno (quarteirão limitado pelas ruas Rodrigues Alves, Maxaranguape, Campos Sales e Ceará-Mirim), naquele tempo considerado como do Quarteirão da Av. Campos Sales, bairro de Cidade Nova, constatando que foi adquirido ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, ao tempo do Governador Juvenal Lamartine e na gestão do meu pai José Gomes da Costa, então Presidente americano no período 1928 a 1930, conforme inúmeros artigos e livros sobre o fato, pela quantia de nove contos de réis, em moeda corrente e legal, conforme autorização feita pelo Ofício nº 368, datado de 21 de maio de 1929, emitido no Palácio da Presidência, tendo sido objeto de escritura pública lavrada no livro 134, fls. 36 a 38, em 02 de julho daquele ano, no Cartório de Notas do tabelião Miguel Leandro, hoje pertencente ao acervo do 1º Ofício de Notas desta Capital, a escritura assinada em nome do América, pelo Tenente Júlio Perouse Pontes, Vice-Presidente, em exercício da Presidência (o Presidente estava ausente por haver assumido o cargo de Promotor da Comarca de Caicó), e pelo Governo do Estado o Procurador Fiscal do Departamento da Fazenda e do Tesouro Doutor Bellarmino de Lemos, sendo objeto da Carta de Aforamento nº 429, da Municipalidade de Natal, medindo uma área de 15.100 m2. Como testemunhas assinaram Orestes Silva e Osmar Lopes Cardoso, perante o escrivão substituto Crispim Leandro, tendo sido efetuado o pagamento em moeda corrente e o Imposto de Transmissão pago em 26 de junho de 1929 ao Dr. Aldo Fernandes, Administrador e Sr. F. Pignataro, Tesoureiro, sendo registrado no Livro “3-C”, de Transcrição das Transmissões, sob o nº 24, fl. 61v. s 62, presentemente do acervo do 3º Ofício de Notas, com o nº de matrícula 828.


Com estes registros, podemos concluir que são verdadeiros os relatos de Luiz G.M. Bezerra, no artigo do jornal “O Potiguar” nº 42 (março/abril/2005) de que o terreno fora adquirido com a ajuda de abnegados como Orestes Silva, José Gomes da Costa, Tenente Júlio Perouse Pontes, Clóvis Fernandes Barros e Osmar Lopes Cardoso com recursos dos mesmos e doados ao América, pois recusaram o recebimento do valor “emprestado”.


O terreno só foi murado alguns anos depois graças ao grande esforço do diretor Tenente Armando Pinheiro local onde o América Futebol Clube ergueu as suas duas sedes, a primeira pela Rua Maxaranguape e a segunda com frente para a Av. Rodrigues Alves nº 950, bairro do Tirol. A primeira sede foi um prédio simples, aliás, o primeiro clube de futebol do Estado a possuir uma sede social própria, fato ocorrido na gestão do Presidente Humberto Nesi, figura que merece destaque especial em razão de sua permanente dedicação. Contou com a firme colaboração do seu 1º Secretário Rui Barreto de Paiva, que o sucedeu em 1945.


Sobre a construção registramos que foi fincada a primeira pedra no dia 14 de julho de 1945, com entrada pela Rua Maxaranguape, nela incluído um campo de futebol e espaço para outras modalidades esportivas. A inauguração ocorreu na gestão do Presidente José Rodrigues de Oliveira, com um jogo amistoso frente ao ABC, ganho pelo América por 6 x 2 (gols de Marinho, Pernambuco - duas vezes, Alínio, Tico e Gargeiro contra, descontando Albano duas vezes para o ABC) no dia 10/07/1948.  Segunda sede decorreu da insuficiência do espaço da antiga sede social e no mesmo terreno adquirido em 1929, mas agora com entrada para a Rodrigues Alves e aproveitando o espaço do campo de futebol. Para possibilitar esse empreendimento o América esteve licenciado do futebol no período de 1960 a 1965.


Com enorme sacrifício e mercê da substancial ajuda dos seus sempre abnegados sócios, a exemplo de Humberto Nesi, Osório Dantas, Heriberto Bezerra, Rui Barreto de Paiva, Humberto Pignataro, Antonio Soares Filho, Manoel Carlos Noronha, Aldair Villar de Melo, José Penha, João Carneiro de Morais (Ferreirinha), Hermita Cansanção, Amaro Mesquita, Adalberto Costa, Carlos José Silva, Luciano Toscano e outros americanos de fibra, que enfrentaram esse novo desafio. Eis que afinal nasceu a “Babilônia Rubra”, como é carinhosamente chamada, ficando pronta na gestão de Humberto Pignataro (maior responsável por sua construção) em 14/07/1967, num dia festivo para cidade do Natal e, especialmente, para Torcida Americana, ali realizando memoráveis festas, inclusive nos carnavais, concorrendo com outras semelhantes do querido Aero Clube. Ajudas substanciais ocorreram com a participação do Senador Dinarte Mariz liberando a realização de um “bingo”, verdadeira redenção, notadamente pela excelente administração dos recursos oriundos, a cargo dos competentes Carlos José da Silva e Paulo Bezerra, responsáveis pelas finanças do clube e o então Prefeito Agnelo Alves, que resolveu os problemas da iluminação do prédio.


Em agosto de 1973 inaugura-se a Pousada do Atleta “Renato Teixeira da Mota” (Nenem), no terreno adquirido por Humberto Pignataro, com benfeitorias realizadas ao tempo da gestão de Dilermano Machado, onde funcionou o Estádio General Everardo, posteriormente vendida para saudar dívidas. Outra visão de futuro foi a aquisição do terreno de Parnamirim, depois adaptado para ser o CT do Clube, outro empreendimento fundamental, que teve à frente os mesmos abnegados Carlos Silva, Pedro Paulo Bezerra e Oscar da Cunha Medeiros, com melhorias realizadas na gestão do Presidente Carlos Jussier Trindade Santos, que recebeu o nome de “CT Dr. Abílio Medeiros”, em homenagem ao dirigente que foi baluarte na aquisição do terreno e onde está sendo construída a “Arena do Dragão”. É bem de ver que cada Presidente colocou uma pedra no alicerce do glorioso América, seja na construção e manutenção do seu patrimônio ou na preservação do seu valor esportivo e confraternização social, contornando crises e garantindo altaneira a bandeira alvi-rubra. 


Contudo, tendo em vista as dificuldades, sempre crescentes, de manter íntegras as finanças do tradicional clube, o América se viu obrigado a fazer negociações com parte do terreno, mantendo a propriedade de parte dos empreendimentos e continuando a galgar vitórias e glórias, enchendo a sua torcida de justificado orgulho.Agora, graças à liderança do Conselheiro José Rocha, acalenta-se o sonho, quase realidade já, da “Arena do Dragão”.


1.  O alvi-rubro começou glorioso, como primeiro campeão oficial da Liga de Desportos Terrestres da cidade, fundada, também, em 1918, sendo o campeonato realizado em 1919. Nesse intervalo de tempo (1919 a 1927), o América ganhou todos os títulos disputados, exceto no ano de 1925, que foi ganho pelo Alecrim Futebol Clube.


2. Ganhou o campeonato de 1922 na disputa da Taça em homenagem ao centenário da Independência do Brasil. Na final, João Maria Furtado, conhecido como "De Maria" fez o único gol da partida frente aos eternos rivais dos americanos, o ABC Futebol Clube. Não poderia deixar de registrar um fato particular da minha família: O desportista José Gomes da Costa, peladeiro no Colégio Marista e nas ruas, quando estudante na Faculdade de Direito do Recife jogou no time do Náutico, depois jogou no America, ao lado de Nilo Murtinho Braga, mais tarde grande jogador do Botafogo carioca e da seleção brasileira, integrou essa equipe de 1922 ao lado de Nilo, Oscar Siqueira, Chiquinho, João Maria Furtado, Benfica, Canela de Ferro, João Ricardo, Américo, Ararí, Aguinaldo e Cazuza, conforme se vê em foto daquele tempo, em uma das partidas, verdadeira relíquia histórica. Quando deixou o futebol foi presidente do seu clube do coração e responsável, junto a outros membros da diretoria, pela aquisição do terreno onde foram erguidas as duas sedes, da Rua Maxaranguape e da Av. Rodrigues Alves.


3.  Sagrou-se VENCEDOR, em 1974, do primeiro campeonato estadual de futebol realizado pela Federação Norte-Rio-Grandense de Desportos.


4. Campeão do Centenário da República, em 1989. Essa vitória também levou à conquista do seu segundo tricampeonato (Machadão), com a equipe formada por César, Baéca (ou Lima), Medeiros, De Leon e Soares, Indio, Baíca e Demair (Fábio), Lico, Casquinha (Edson) e Edmilson. Técnico Ferdinando Teixeira. Outros jogadores que ajudaram em outras partidas: Eugênio, Baltazar, Edson, Alfinete, Lauro, Marcelo José, Nunes, Guetener e Almir.


5. Campeão  da Copa do Nordeste de 1998, derrotando o Vitória na final por 3 a 1, gols de Kobayashi, Biro Biro e Carioca. 


6. AMÉRICA FUTEBOL CLUBE - CAMPEÃO DO CENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO - Em memorável partida realizada no dia 02 de maio de 2015, o glorioso América Futebol Clube consagra-se CAMPEÃO DO CENTENÁRIO (1915-2015), vencendo de 1 x 0 o também centenário ABC FUTEBOL CLUBE, em partida realizada no Estádio Maria Lamas Farache (Frasqueirão).


PARABÉNS AOS NOSSOS HERÓIS = DIRIGENTES, ATLETAS, EQUIPE TÉCNICA E GALERA DO MECÃO.


VIDA LONGA AO AMÉRICA FUTEBOL CLUBE, NOSSO SUPERCAMPEÃO.


 

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