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17/10/2020 às 14h06

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Covid-19: o que já sabemos e o que ainda é incerto?
Médico infectologista e doutor em Saúde Pública do Grupo São Francisco comenta sobre mitos e verdades com relação à doença, que paralisou o ano de 2020 em todo o mundo
Covid-19: o que já sabemos e o que ainda é incerto?
Claudio Penido Campos Junior, médico infectologista da Comissão de Controle de Infecção do Hospital São Francisco

Quase dez meses depois do primeiro alerta sobre o novo coronavírus, emitido em 31 de dezembro pela Organização Mundial de Saúde (OMS), muitas suposições com relação à Covid-19 já foram desvendadas pela ciência, mas ainda há muitos aspectos incertos.


O médico infectologista da Comissão de Controle de Infecção do Hospital São Francisco, que faz parte do Sistema Hapvida, Claudio Penido Campos Junior, afirma que apesar de uma melhora no cenário, as medidas de prevenção e os cuidados com relação à pandemia devem ser mantidos e reforçados. Por isso, ele comenta alguns mitos, verdades ou pontos incertos sobre a doença.


1º) Com a flexibilização da quarentena, posso frequentar reuniões, praticar esportes em grupos, ir a festas e a cultos religiosos que os riscos foram reduzidos?


(MITO): Os riscos de contaminação em qualquer evento que haja aglomeração são muito elevados. Evite sair de casa e, em caso de necessidade, utilize máscara, mantenha o distanciamento de pelo menos dois metros das outras pessoas e higienize as mãos com álcool em gel 70% ou com água e sabão com frequência.


2º) É possível se contaminar por meio de aperto de mãos ou com beijos no rosto?


(VERDADE): Sim, é possível. Não é a forma mais eficiente de transmissão, que se trata da respiratória, mas a transmissão por contato também pode levar ao contágio. Por isso, é recomendável evitar, ao menos temporariamente, esse tipo de contato físico, uma vez que pessoas assintomáticas também são capazes de transmitir a doença.


3º) O tipo sanguíneo da pessoa pode influenciar na gravidade ou não da Covid-19?


(MITO): Isso não é verdade. A gente sabe que, muito provavelmente, existam alguns determinantes genéticos que favorecem a pessoa de apresentar um quadro de maior ou menor gravidade. Mas, em princípio, eles não estão relacionados ao grupo sanguíneo.


4º) Já se sabe porque o vírus se manifesta de forma mais grave em algumas pessoas, mesmo que elas não tenham doenças pré-existentes?


(INCERTO): A ciência ainda não sabe porque algumas pessoas desenvolvem uma resposta inflamatória mais grave. Isso, provavelmente, está relacionado com determinantes genéticos, de padrão de resposta inflamatória, ou seja, aquele indivíduo está predisposto e quando exposto ao vírus ele tende a desenvolver uma resposta inflamatória mais exuberante e isso é nocivo contra a sua própria saúde. Isso é sabido, mas o porquê e o que condiciona essa resposta diferente, a ciência ainda não sabe responder de forma definitiva.


5º) Já se sabe o motivo de algumas crianças desenvolverem a Síndrome Inflamatória Multissistêmica pós-Covid-19? Qualquer criança que teve a doença está suscetível a ter essa síndrome?


(INCERTO): Infelizmente, este ainda é mais um ponto sem definição. A ciência não sabe o que condiciona a ocorrência da Síndrome Inflamatória Multissistêmica. Mas, o que sabemos é que é uma manifestação extremamente incomum ou muito pouco frequente e que, em princípio, todas as crianças estariam sujeitas a ter.


6º) A gestante pode transmitir o vírus para o feto?


(VERDADE): A transmissão vertical, da mãe para o feto, é possível sim. Mas, a literatura médica mostra que este é um evento muito incomum, extremamente raro. Entretanto, já há relatos definitivos de que pode haver transmissão para o feto.


7º) A recuperação da Covid-19 é lenta? Mesmo curada, a pessoa pode enfrentar problemas no pós-Covid-19?


(VERDADE): A Covid-19 possui formas diferentes de prolongar seus efeitos nas pessoas. Isso pode ser explicado por meio de três possibilidades:


1º - os indivíduos que têm os casos mais graves tendem a ter um período de convalescência mais longo: o indivíduo tem a doença e quanto mais grave ela é, maior é o tempo em que a pessoa ainda apresenta a sintomatologia residual. Mas, lembrando que isso é algo de evolução benigna. Mesmo que demore, o quadro vai aos poucos se resolvendo e a tendência é que a pessoa fique livre por completo das manifestações da doença.


2º - doença causar complicações: o indivíduo curou da Covid-19, estava praticamente assintomático, no entanto pode desenvolver, por exemplo, um tromboembolismo pulmonar ou um acidente vascular hemorrágico ou uma trombose venosa profunda na perna. Então, isso são complicações, que já se sabe, estão relacionadas à Covid-19.


3º - manifestações do tipo sequelas: o indivíduo teve um quadro muito grave de Covid-19 no pulmão, por exemplo, como uma pneumonia muito grave, assim, o dano que o pulmão recebeu foi tão intenso que ele desenvolve depois uma fibrose. Desta forma, devido à Covid-19, o indivíduo pode desenvolver uma deficiência respiratória crônica para o resto da vida.


8º) Uma pessoa que tenha sido infectada é imune ao vírus e deixa de transmitir?


(MITO): A ciência já sabe que pode haver reinfecção. Agora, qual é o tempo em que a pessoa que teve o primeiro episódio de infecção está protegida contra o segundo episódio ainda é indefinido, não sabemos. O que se sabe é que esse tempo de proteção, aparentemente, é muito curto. E uma vez que uma pessoa tem um segundo episódio, uma reinfecção, ela transmite sim o vírus da mesma forma que transmitia no primeiro episódio.


9º) Perda de olfato e paladar é característico apenas em pessoas com Covid-19?


(MITO): Não. Tem uma série de outras causas que alteram o olfato e paladar, isso não é exclusivo da Covid-19.


 

FONTE: Phábrica de ideias - Assessoria de Comunicação

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