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Hipocrisia e arrogância de um capitalista gângster
Elon Musk é um alto executivo da megaempresa Tesla e um dos bilionários mais poderosos do Planeta.
Hipocrisia e arrogância de um capitalista gângster

Por Emerson Leal


Paulo Moreira Leite põe o dedo na ferida e mostra as entranhas do capitalismo gângster, ou seja, do imperialismo – essa chaga que inferniza e infernizará a humanidade por décadas ou séculos ainda. Elon Musk é um alto executivo da megaempresa Tesla e um dos bilionários mais poderosos do Planeta. Jornalistas independentes acabam de criticar sua empresa por ter ela patrocinado o golpe de Estado para desalojar Evo Morales do governo da Bolívia.


 


            1. Musk sequer pestanejou. Pelo contrário, mostrando que não tem o menor pejo pela democracia de quem quer que seja, assumiu seu protagonismo no golpe e disse que, se necessário for, fará tudo outra vez dando “golpes em quem ele bem entender”. E proclama no final: “Podem ir se acostumando com isso”! Em suma, não se preocupa com a opinião de ninguém, muito menos de organismos internacionais como a ONU, por exemplo. É de uma arrogância e hipocrisia que beiram o paroxismo!


 


            2. Um pouquinho de história sobre o  protagonismo do império norte-americano: foram mais de 200 intervenções militares e golpes de Estado patrocinados e/ou realizados pelos EUA no mundo, nas últimas décadas. Por exemplo, no Brasil de João Goulart e de Dilma; no Chile de Salvador Allende; na Argentina de Juan Domingo Perón, como lembra Moreira Leite.  O golpe brutal realizado pelo general Suharto, na Indonésia, foi articulado pela CIA. Como resultado, cerca de um milhão de pessoas – principalmente os comunistas – foram presas, condenadas e a maioria delas perseguidas e assassinadas enquanto durou a ditadura do general fascista.


 


E mesmo na Bolívia de Juan José Torres (em 1971), a CIA obrou para colocar no poder um testa de ferro dos norte-americanos, o fascista Hugo Banzer, para entregar o estanho aos EUA. Essa sempre foi uma prática usual do capitalismo gângster.


 


            3. Seguindo esse mesmo script, Elon Musk patrocinou o golpe na Bolívia – mais um! –, porque Evo Morales queria consolidar a soberania do país tendo como base as reservas de lítio (das maiores do mundo). Essa é a matéria prima para a fabricação de baterias de automóveis e aparelhos celulares. O projeto econômico de Evo previa a criação de um programa de desenvolvimento autônomo, objetivando beneficiar uma parcela considerável de bolivianos pobres e historicamente excluídos da sociedade. Na base desse programa estava o lítio. Bem o sabemos, motivações como as de Evo, não sensibilizam as elites plutocratas do mundo.


 


            4. Para arrematar: Hedelberto Blanch, no site espanhol www.rebelion.org, denunciou que desde 1998 os EUA vêm liderando uma disputa em que mais de 5 (cinco!) milhões de pessoas já perderam a vida na República Democrática do Congo (RDC). Trata-se de uma disputa entre corporações multinacionais pelo controle das reservas de coltan – um composto mineral constituído de nióbio e tântalo, matéria prima estratégica para a fabricação de smartphones, mísseis, centrais nucleares e equipamentos aeroespaciais. Ocorre que 80% das reservas de coltan do mundo estão exatamente na RDC.


 


            5. Há mais de duas décadas os EUA têm organizado grupos mercenários em Ruanda, Burundi e Uganda para controlar e açambarcar as reservas de Coltan e de outros minerais como ouro, cobre e diamantes industriais da RDC. Empresas multinacionais como a IBM, Intel, Nokia, Hitachi, Ericson, Siemens, Bayer, etc. têm participado do butim. E a ONU faz vistas grossas ao genocídio do povo congolês. Só pode ser para garantir os altíssimos lucros de pessoas como Elon Musk, bem como (garantir) os interesses estratégicos das potências centrais, isto é, do imperialismo!


 


Emerson Leal – Doutor em Física Atômica e Molecular pela USP de S. Carlos e ex-vice-prefeito de São Carlos.

FONTE: Emerson Pires Leal

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